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	<title>é bom pra quem gosta</title>
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		<title>depois falam que não sou romântica</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 00:12:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[muito, muito tempo atrás, semanas, meses, nem sei mais, eu almoçava num restaurante gostoso quando percebi um cara mais gostoso ainda se sentando na mesa ao lado da minha, na cadeira que dava de frente pra mim e pra parede avermelhada que estava logo atrás de mim. sozinho na mesa, falava ao celular; cinquentão de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ebompraquemgosta.wordpress.com&amp;blog=6914988&amp;post=2273&amp;subd=ebompraquemgosta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>muito, muito tempo atrás, semanas, meses, nem sei mais, eu almoçava num restaurante gostoso quando percebi um cara mais gostoso ainda se sentando na mesa ao lado da minha, na cadeira que dava de frente pra mim e pra parede avermelhada que estava logo atrás de mim. sozinho na mesa, falava ao celular; cinquentão de belo porte, olhos vivos, convidativos, acho que já tinha me percebido antes mesmo que eu o percebesse, e eu sou bem esperta pra perceber belos cinquentões nos meus arredores. eu estava num almoço de trabalho com duas pessoas de trabalho bancando a trabalhadora, e por isso só sorri discretamente quando ele falou alguma piadinha engraçadinha para o celular olhando pra mim e parecendo despretensiosamente aberto à minha cumplicidade; estávamos nos entendendo ali, eu achei, e meu almoço ainda começava. mas ele nem comeu muito, só o vi tomar uma cervejinha, logo se levantou e foi pagar a conta no caixa, enquanto eu quieta-inquieta me dava conta de que nenhum dos meus planos mirabolantes que me ocorriam ali pra dar a ele meu cartão de visitas meu email meu telefone sem que ninguém mais percebesse me parecia ainda bom o suficiente para ser posto em execução. mas no seu caminho ao caixa ele pôde olhar pra mim mais demoradamente, e sorrir, e dar uma piscadela. sorriso e piscadela descompromissados, leves, pedindo nada – coisa de poucos segundos, mas que segundos mais ricos aqueles, com aquele sorriso e aquela piscadela melhores que muito beijo, e olha que beijo todo o mundo sabe o bom que é. eu pude retribuir muito discretamente, um olho no peixe outro no gato, quero dizer, nos dois figuras sentados na minha mesa, que distraídos que estavam não faziam nem ideia da minha paquerinha – o que eu sei dizer porque aquela gente sentada ali na minha mesa não teria a finura de, percebendo qualquer coisa, fingir que não percebe para não encher o saco com assuntos que não lhe dizem respeito; gente do trabalho com quem a gente almoça porque precisa e não porque escolhe, não porque um sorriso e/ou uma piscadela levaram a uma vontade e um convite felizmente aceito. e o cara gostoso foi embora assim mesmo, sem dar chances muito maiores do que o acaso já dá, e afinal parte do seu charme paradoxalmente se devia à despretensão de quem foi tomar uma cervejinha boa sem esperar nada de ninguém; as melhores refeições são de quem não está faminto e sabe que pode comer não por precisar mas apenas pela vontade e pelo desfrute. sorriso e piscadela, e aquele virou meu restaurante favorito, e aquele virou meu dia favorito, e eu de vez em quando ainda sonho acordada em encontrar esse cara gostoso de novo, que eu tenho certeza que a essa altura meus sonhos e desejos já embelezaram e perfumaram de maneira tal que se eu o encontrasse na rua possível que nem reconhecesse, ou melhor ainda, reconheceria só pelo perfume que eu atribuí ao olhar vivo dele, pouco importa se o mesmo gostoso ou um outro, de belo porte e boa disposição. depois dizem que eu não sou romântica, mas só um tonto pra não perceber o romantismo que pode haver em um boquete surpresa furtivo no banheiro em um dia de semana. quem dera.</p>
<br />Filed under: <a href='http://ebompraquemgosta.wordpress.com/category/causos/'>causos</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ebompraquemgosta.wordpress.com/2273/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ebompraquemgosta.wordpress.com&amp;blog=6914988&amp;post=2273&amp;subd=ebompraquemgosta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>gisele de hope</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 21:23:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lu</dc:creator>
				<category><![CDATA[feminismos]]></category>

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		<description><![CDATA[alguns queridos me pediram pra falar sobre a propaganda de lingerie da hope com a gisele bundchen de calcinha, e a tentativa de censurá-la por parte de algumas que se sentiram ofendidas pela propaganda alegando machismo. como o que me interessa são as análises e críticas, vejamos o que foi dito: Para Aparecida Gonçalves, Secretária [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ebompraquemgosta.wordpress.com&amp;blog=6914988&amp;post=2267&amp;subd=ebompraquemgosta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>alguns queridos me pediram pra falar sobre a propaganda de lingerie da hope com a gisele bundchen de calcinha, e a tentativa de censurá-la por parte de algumas que se sentiram ofendidas pela propaganda alegando machismo. como o que me interessa são as análises e críticas, vejamos o que foi dito:</p>
<blockquote><p><a title="‘Sou baixa, gorda e índia e não me vejo na propaganda da Gisele’" href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,sou-baixa-gorda-e-india-e-nao-me-vejo-na-propaganda-da-gisele,86370,0.htm" target="_blank">Para Aparecida Gonçalves, Secretária Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, o problema da peça publicitária &#8220;<em>não é Gisele Bündchen, nem a lingerie, mas é a questão que está por trás disso. É passar uma imagem errônea da mulher brasileira, que não é submissa, é consumidora, moderna e até presidente</em>&#8220;, diz. &#8220;<em>Agora, se fosse num jantar à luz de velas, o charme e a lingerie até se justificariam</em>&#8220;, afirma. Aparecida diz se sentir ofendida pela propaganda, já que, como ela própria descreve, &#8220;<em>é baixa, gorda e índia</em>&#8221; e não se vê representada na peça publicitária. Ela afirma que o objetivo da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) é questionar que tipo de imagem da mulher brasileira está sendo criado.</a></p></blockquote>
<p>e na fala da ministra iriny lopes, também da spm:</p>
<blockquote><p>&#8220;<a title="iriny lopes" href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/tentaram-me-ridicularizar" target="_blank">No nosso juízo havia uma característica sexista na propaganda, de coisificação da mulher. Havia uma ideia de que, para conter a violência do companheiro, era necessária a erotização. De fato, elas devem ser bonitas, lindas, desejadas, assim como eles para elas. Mas não com esse tipo de brincadeira, que perpetua a ideia da mulher-objeto. (&#8230;)  não há ressentimento algum, e sim uma cultura de igualdade, de contestação ao <em>status quo</em> no qual a mulher é vista como um ser subalterno. (&#8230;) Havia uma mensagem subliminar quando era mostrado um carimbo dizendo que dar o recado com roupa era errado. Qual é a intenção ao mostrar isso? É essa coisa da mulher-objeto, que para manter uma relação precisa de um nível de erotismo. (&#8230;) Nossa visão em relação à publicidade não é moralista.</a>&#8220;</p></blockquote>
<p>a propaganda <a title="vídeo da propaganda" href="http://www.youtube.com/watch?v=FXjal8Jj36Y" target="_blank">mostra gisele contando uma notícia chata para um namorado ou marido de roupa, e depois a mesma notícia só de lingerie</a>; o fato de ela estar só de lingerie nesse momento salta mais aos olhos do que a notícia que ela dá, o bom da lingerie nela se sobressai e o ruim da notícia fica minimizado, a propaganda diz que esse é o jeito certo de dar a notícia. um narrador diz: &#8220;você é brasileira, use seu charme. hope, bonita por natureza.&#8221; aparece escrito hope com esse slogan embaixo com a sombra da gisele atravessando de um lado a outro da tela com seu famoso andar milionário. fim. ah, as notícias ruins que a gisele dá são acerca de rombos no cartão de crédito, batida de carro e sogra vindo morar junto com o casal (essa meu marido teria que dizer peladão com uma maçã na boca e uma ereção power).</p>
<p>a mensagem de que mulher com menos roupa é algo agradável está longe de ser uma invenção ou exclusividade dessa peça publicitária; a ideia de que mulher com menos roupa é ruim ou ofensivo e deve ser censurado, no entanto, também está longe de ser uma invenção ou exclusividade de um certo feminismo. mas permita-me debruçar um pouco na fala da secretária sem atalhos: para justificar ter se ofendido, ela diz que ela é baixa, gorda e índia. essa justificativa, mal elaborada e dada a toque de caixa, não é boa; ela fala de si mesma, não da propaganda. estamos discutindo o problema da propaganda ou da aparecida gonçalves? note que é na fala dela própria que ser baixa, gorda e índia aparece como algo problemático. e quem não tem essas características não se ofende? gisele é brasileira, e é um orgulho nacional por ser uma das modelos mais bem sucedidas do mundo. a hope precisa vender lingerie; houvesse uma gisele baixa gorda e índia, a hope poderia chamá-la para gravar a propaganda, mas não há, e não só não é nem intenção nem função da hope criar uma, não lhe é possível. a tarefa de expor e questionar os padrões de beleza naquilo que eles têm de racista e problemáticos é tarefa de intelectuais, das feministas, quisera eu que da SPM também, mas não de marca de calcinha.</p>
<p>mas então se na propaganda a mulher de calcinha invés da gisele fosse uma índia baixa e gorda, seria ok? não sabemos, mas sabemos que a exposição do corpo esbelto de gisele em seu &#8220;charme e lingerie&#8221; seria perdoada &#8220;se fosse num jantar à luz de velas&#8221;. jantar à luz de velas, gente. dá pra escrever um livro inteiro pra justificar porque essa fala se respalda em uma lógica machista e nociva: só homem gosta de sexo, mulher gosta do que se recebe em troca do sexo, e tem que barganhar o que tem em troca do que puder, dinheiro joias casamento status atenção carinho&#8230; no sexo pelo sexo, a mulher fica em desvantagem. já falei demais aqui sobre como essa lógica inclusive promove e banaliza estupros. outra coisa que já falei demais é que é preciso cuidado para dar um relato do machismo sem congelar seus termos, que a leitura machista de mundo não pode esgotá-lo. a ideia de &#8220;mulher-objeto&#8221; costuma aparecer como um conceito pronto, fácil, jogado, e nunca é suficientemente explicado de que maneira a mulher fica objeto e porque isso é ruim e machista e não deve ser feito. é a <em>calcinha</em> que faz da mulher um objeto? é o fato de ela se exibir fora do âmbito privado do quarto? o que faz da gisele sulbalterna aqui? é como se houvesse uma relação automática e incontornável entre mulher (bonita) de calcinha, sua apreciação (por homens), e uma posição submissa e desfavorável da mulher. o ato de se carimbar no corpo da mulher vergonha, fragilidade, submissão, oferta, enfim, isso é trabalho do olhar sobre o corpo, que parte de fora e se imprime sobre ele, por mais que o faça convicto de que o corpo que emite os valores que lhe são atribuidos, por mais que o faça se passando por mera leitura de um fato dado. muito está em jogo na construção e nas possibilidades de um olhar, na inteligibilidade que lhe convém, nas dinâmicas que o embasam e nas que se desencadeiam a partir dele. eu insisto que não se pode recusar um preconceito sem abertura para leituras e olhares mais amigáveis, seu reconhecimento e promoção; em que repetir acriticamente as regras mais amplamente propagadas do jogo sexual – regras que feministas concordam não serem suficientemente igualitárias – colabora para a riqueza dos nossos jogos?</p>
<p>o que está na propaganda é que quando a gisele de lingerie dá notícia ruim seu impacto ruim é menor, que, de lingerie, a gisele é mais adorável pro seu parceiro, que há então no quadro outras coisas, boas, além da notícia ruim, coisas que distraem a atenção. nada até aqui me ofende, enquanto mulher. a inferência a partir daí de que a gisele está barganhando com seu corpo, usando a erotização para &#8220;<em>conter a violência do companheiro</em>&#8220;, é contingente, e mais que isso, só se justifica mediante a pressuposição de um companheiro violento, o que a propaganda por si não traz em momento algum. eu tenho dificuldade em entender como um feminismo que insiste no machismo e violência contra a mulher como o padrão, que insiste em pressupô-los em toda a parte, trabalha para promover um mundo livre de machismo e violência contra a mulher.</p>
<p>fica evidente uma afinidade com o pensamento – perigoso e muito presente embora raramente explicitamente elaborado – de que a mulher, seu corpo, sua exposição, sua beleza, deve ser do âmbito privado, de que sua sexualidade deve ser resguardada (por ser propriedade de algum homem, como alguns desenvolveriam o raciocínio). a ideia de que a mulher pertence ao âmbito doméstico inclusive não se distancia da de que a mulher está sempre vinculada, e portanto limitada, à sexualidade – que é uma que, essa sim, claramente incomoda aqueles que não gostaram da propaganda da hope; mas qualquer crítica à essa propaganda que se baseie nesse argumento enfrentaria o obstáculo de que se trata aqui de uma propaganda de lingerie, e estamos sim no âmbito da sexualidade. essa ideia é ruim porque limita a mulher à esfera da sexualidade, e enquanto pessoas temos atuações em outros campos também que não necessariamente pertencem e dialogam com a sexualidade; mas não porque o âmbito da sexualidade seja ruim em si e por si e deva ser sempre negado e repudiado. no discurso de fanáticos religiosos inflamados esse modo de ver parece distante, mas permeia nosso discurso cotidiano mais do que gostaríamos de admitir; quantas vezes, quando se fala no bem-estar das mulheres, em mantê-las mais seguras, não se confia em uma poda da sexualidade feminina como solução? oras, não há erotismo na minha relação com algumas pessoas, como meus pais, meu chefe, alguns amigos – mas por que seria ruim contar com o fato de que uma relação com o meu companheiro requer &#8220;um nível de erotismo&#8221;? erotismo é ruim sempre, em si e por si – se dá sempre contra a mulher? ou apenas em um contexto em que os motivos que ela teria para curtir uma transa seriam sempre externos a ela – como, digamos, um jantar à luz de velas? quem objetifica a mulher afinal, senão aquele que é incapaz de enxergar nela qualquer desejo, que vê nela apenas o corpo no qual os desejos alheios são impressos?</p>
<p>por fim, ainda mais um ponto: o feminismo que eu gosto não acredita em hipótese alguma na censura como solução, porque, além de não acreditar que tentar calar os preconceitos seja uma boa estratégia para evitá-los, acredita que os critérios e razões para censurar são sempre questionáveis, que o discurso do poder censurador, independentemente de a quem ele seja dado, está igualmente sujeito aos preconceitos que  se quer calar, que, imbricados que estão na linguagem, estão sempre se repetindo e ressurgindo. eu acredito, sim, no exercício da <strong>crítica refletida</strong>. declarações de que me ofendi porque sou baixa e gorda alimentam piadinhas clichês sobre mulheres invejosas e ressentidas; acredito que momentos em que o debate público se abre a essas questões são chances valiosas para manifestações tais como da SPM oficialmente, como uma carta aberta assinada, por exemplo, discutindo as razões pelas quais considera que o humor da propaganda da hope está na contramão da promoção da igualdade de gêneros.</p>
<p style="text-align:right;">sobre o mesmo assunto, mas com sacadas absolutamente geniais, apontamentos diferentes, e escrita fluente, <a title="amélia - godot não virá" href="http://godotnaovira.wordpress.com/2011/10/11/amelia/" target="_blank">minha blogueira favorita e grande ídola tem um post fodástico; clica e vai lá ler</a>.</p>
<br />Filed under: <a href='http://ebompraquemgosta.wordpress.com/category/feminismos/'>feminismos</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ebompraquemgosta.wordpress.com/2267/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ebompraquemgosta.wordpress.com&amp;blog=6914988&amp;post=2267&amp;subd=ebompraquemgosta&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>fazendo a scarlett</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 19:35:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lu</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>o primeiro filme que o sylvester stallone fez foi <a title="The Party at Kitty and Stud's" href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Party_at_Kitty_and_Stud%27s" target="_blank">um soft porn vagabundo</a>. ele tava na maior pindaíba e ganhou uma merreca que o ajudou bastante, na época (não assisti ainda, parece que ele só aparece e nem come ninguém). ainda na década de 70, a produtora ofereceu a ele que pagasse pro filme não ser lançado, tipo a xuxa com o filme em que ela banca a pedófila; pediram uma nota. ele disse: eu não pago nem dois dólares por essa porcaria. então resolveram exibi-lo em sessões exclusiva de cinema, cobrando 10 mil; a respeito disso, ele disse: <em>Caramba, por 10 mil, eu vou lá pessoalmente!</em></p>
<p>essa semana, como todo o mundo sabe, vazou na internet <a title="foto 1 e 2" href="http://ebompraquemgosta.tumblr.com/private/10476953307/tumblr_lrvbegzzWZ1qzyu5t" target="_blank">umas fotinhas privadas da scarlett johansson</a>. julguem por si mesmos; as fotos, que parecem tiradas casualmente sem grandes cuidados, são dignas de uma das mulheres mais lindas e sexyes que já pisaram nesse mundo. a pose do auto-retrato de rosto com a bundinha no espelho já foi consagrada e seu nome virou o verbo, <em><a title="o meme" href="http://www.naosalvo.com.br/vc/scarlettjohanssoning-o-meme-para-voce-ser-a-scarlett-johansson-por-um-dia/" target="_blank">scarlettjohanssoning</a></em>: você pode fazer a marilyn monroe e segurar o vestido branco contra o vento, você pode fazer a jessica rabbit e cantar de vestido vermelho <a title="why don't you do right" href="http://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw" target="_blank">puxando a gravata de um cara</a>, e agora você pode <a title="por exemplo: barack obama fazendo a scarlett." href="http://www.rickey.org/barack-obama-scarlettjohanssoning-artwork/" target="_blank">fazer</a> a <a title="scarlettjohanssoning" href="http://scarlettjohanssoning.com/" target="_blank">scarlett</a> no espelho do seu banheiro com a câmera do seu celular.</p>
<p>pois a própria scarlett johansson não curtiu a história e botou o <strong>FBI</strong> pra cuidar do caso – e pipocaram textos dramáticos de webfeministas americanas tentando conscientizar as pessoas do quão terrível é a situação; àquelas que se comparam com a scarlett em sua dor de quem também um dia <a title="por ex." href="http://rosalarian.tumblr.com/post/10209110157/so-some-nude-photos-of-scarlett-johanson-leaked-today" target="_blank">já teve</a> fotos privadas vazadas na internet e conhece a dor lancinante de ter sua intimidade invadida, a resposta mais evidente é que scarlett johansson, afinal de contas, é uma figura pública, e mais que isso, uma atriz, que trabalha com o corpo e com a imagem, cuja beleza é celebrada desde muito antes dessas belas fotos vazarem; sua fama, sua grana, sua carreira, seu status, seu nome, sua arte, nada disso pode ser separado de certos atributos que são imediatamente identificáveis nas fotos que vazaram, e a gente ainda precisa comer muito feijão pra se comparar a ela, na alegria ou na tristeza.</p>
<p>mas há aqui um aspecto recorrente na cultura americana, que aparece também no fenômeno do &#8220;bullying&#8221;: se um problema do bullying, certamente o mais comentado, é o impacto torturante que ele tem em sua vítima, está claro que reconhecer e validar a postura da vítima é fundamental para ajudá-la, individualmente. mas em maior escala, lamentar a condição da vítima do bullying tem o efeito contrário de validar, por sua vez, a posição de poder daquele que o inflige – figura em geral anônima e difusa, apoiada em toda uma racionalidade que o privilegia e enfraquece a vítima por seja lá qual for seu &#8220;defeito&#8221; em questão; a vítima é figura central e sempre específica. quer chatear alguém de quem você não gosta? o bullying é uma maneira fácil, grátis, rápida e eficientíssima, segundo o que eu aprendi numa matéria do jornal sobre o novo terror dos colégios.</p>
<p>há uma crítica espirituosa na música do andré abujamra e zeca baleiro, <a title="sugiro veementemente que leiam a letra; é adorável." href="http://letras.terra.com.br/andre-abujamra/1695353/" target="_blank">lexotan</a>, desse tipo de postura dramática. ela parece perder a força frente à notícias como a morte do <a title="jamey rodemeyer, o mais recente dentre inúmeros casos semelhantes de suicídio entre adolescentes gays americanos vítimas de bullying" href="http://www.huffingtonpost.com/2011/09/20/jamey-rodemeyer-suicide-gay-bullying_n_972023.html" target="_blank">garoto de 14 anos que é o mais recente caso de suicídio de um adolescente gay americano vítima de bullying homófobo</a>. ao saber que o garoto havia ele mesmo gravado um vídeo para a campanha &#8220;<em>it gets better</em>&#8221; de prevenção desse tipo de suicídio que virou um fenômeno nos eua – e podemos incluir na lista uma bela garota de 13 anos, <a title="essa é uma notícia que não vi jornal nenhum dar sem fazer comentários machistas." href="http://www.cbsnews.com/8301-504763_162-20018957-10391704.html" target="_blank">hope</a>, que se matou em 2009 depois que a tornaram a &#8220;vadia&#8221; da escola por conta de um sms que ela mandou pro garoto de quem gostava pagando peitinho –, nos perguntamos como então prevenir tais eventos. Por que a mensagem positiva da campanha não bastou nesse caso? o que mais pode ser feito, amplamente, para prevenir esse tipo de suicídio, esse tipo de sofrimento?</p>
<p>assim como o garoto não se matou porque era gay, mas porque não conseguia viver em paz em um meio tão homofóbico, devia estar claro que o motivo do suicídio da garota não foi sua sexualidade, não foi &#8220;seu erro&#8221; de ter enviado o sms sensual a um moleque, mas porque ela não conseguia viver em paz em um meio tão machista. As notícias de sua morte parecem confirmar que ela estava, em larga medida, certa em não ter comentado nada sobre o caso com os &#8220;adultos&#8221;, pois insistem em ligar o suicídio ao sms enviado e às tecnologias modernas disponíveis à menina que tomou <em>uma decisão ruim</em>, invés de ligá-lo ao comportamento agressivo dos colegas que a ridicularizavam. Então, em primeiro plano e mais evidentemente, o que deve ser feito a fim de prevenir esse tipo de tragédia é expor a inteligibilidade preconceituosa que a sustenta, como é a proposta do <em>It gets better:</em> é possível ser gay e ser feliz (e por óbvio que seja, no caso da Hope ainda engatinhamos, como sabemos; meninas ainda são ensinadas e cobradas a terem discrição e recato, até mesmo por quem lamenta a sua morte trágica, até mesmo em meios supostamente críticos).</p>
<p>e, sem menosprezar a dificuldade dessa tarefa mais evidente de questionar a racionalidade que apoia o bullying e justifica a vitimização da vítima (é gay e gay não presta, é vadia e vadia não presta), outra maneira de virar o jogo é questionar, mais ainda, a força que ela pode ter; mais que basear-se em falsas premissas e ser portanto mentiroso, o bullying pode ser inócuo desde que simplesmente não encontre respaldo onde mais precisa: na vítima. Melhor dizendo: esse tipo de abordagem dramática e solene, como o das <a title="amo demais a erika moen. mas esse é um mau hábito americano." href="http://erikamoen.tumblr.com/post/10269413572/so-some-nude-photos-of-scarlett-johanson-leaked-today" target="_blank">webfeministas</a> que choram a dor da intimidade invadida de scarlett johansson, participa da tendência a atribuir um poder mágico às palavras de ferir, como se falar fosse fazer acontecer: mas, por mais que o senso comum confunda a ambos e atrele o ato à fala, é preciso lembrar que há um intervalo entre eles, que o caráter profético de palavras como &#8220;você é uma aberração e deve morrer&#8221; – repetidamente ditas ao garoto suicida – não é necessário.</p>
<p>aqui, de certa forma, retornamos ao clima zombeteiro daquela <a title="&quot;lexotan&quot;" href="http://letras.terra.com.br/andre-abujamra/1695353/" target="_blank">música do abujamra, que diz que é mais fácil ser triste que alegre</a>. Claro que a vítima não é inteiramente senhora do seu entorno e não pode, sozinha, criar para si uma alternativa inteiramente nova para a racionalidade que o bullying divulga; é preciso então mostrar que racionalidades alternativas existem – e o próprio ato de apontar o preconceito enquanto preconceito que é já o localiza e frustra suas pretensões universalizantes. E para além disso, cabe ver o mundo com mais leveza, na medida em que se admite não só a existência concomitante de outros modos de ver o mundo, além daquele no qual eu sou gay e gay não presta ou sou vadia e vadias não prestam etc, mas também que esse modo de ver que me desqualifica não é válido o suficiente pra mim, que eu me encontro em posição de poder suficiente para negá-lo, ou, ainda, que o agressor não se encontra em posição de poder suficiente para impô-lo a mim.</p>
<p>não se trata com isso de questionar as particularidades da scarlett johansson ou de cobrar que ela agisse com o bom humor do stallone – cujo gênero lhe dá muita vantagem na hora de dar de ombros frente a esse tipo de exposição. se trata de reconhecer que é possível a nós que façamos a scarlett e sigamos a vida, felizes.</p>
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