pau duro e pinto mole nos pornôs.

por lu

tem um clichê de filme pornô hétero que eu adoro: o de desassociar o pau do dono do pau. enquanto o corpo das mulheres é totalmente sexualizado, e cada centímetro dele vem a ser digno de nota e de atenção num filme pornô – onde tudo é sexo -, o homem está lá só pelo pau. Tanto que os atores podem trabalhar por muito tempo, atuando em zilhões de filmes, porque há pouca exposição e pouco desgaste da imagem deles. não interessa o cara; interessa seu pau, e só. Isso acontece porque é voltado para o público masculino hétero, e o destaque é dado todo à mulher, mas é compatível com o olhar fetichizante de quem gosta de pau. Adoro a cena clássica inicial da mulher sozinha, se masturbando, se divertindo e se exibindo, flertando com o espectador/ câmera, e – tchum!, de repente aparece um pintão duro no enquadramento, um pintão que é tudo o que podemos ver do ator que empresta sua ereção à cena, e ela começa a brincar com o pau sem que haja nenhuma interação com o homem para além do seu pau, sempre duro, solícito e disponível. e os paus são parecidos, todos tão grandalhões, bonitos e depilados. é quase que um só pau anônimo, genérico, o dos filmes pornôs.

durante as cenas de meteção, repare na dinâmica dos olhares; na esmagadora maioria das cenas de filmes pornôs comuns, a mulher olha para a câmera/ espectador, se exibe, se pavoneia, ensimesmada; e o homem, assim como o suposto espectador, olha pra mulher, o tempo todo. o cara tem a fonte de seu tesão na mulher, e ela tem no pau um instrumento de diversão, ao qual seu tesão é anterior. é raro, durante a meteção, a mulher olhar para o homem com quem ela está transando; e, tão raro quanto, é o cara não fixar o olhar no rosto da mulher e acompanhar atentamente cada gemido, cada expressão, cada reação sua.

a desassociação do pau com o dono do pau aparece no chamado “glory hole”; do lado de “cá”, vemos apenas um pau, e nada mais. me encanta a confiança que há no fato de um homem enfiar o pau num buraco e se expor e se entregar assim ao que quer que esteja do outro lado, seja quais forem as pessoas e suas intenções. Toma meu pau, use-o e divirta-se com ele, e me divertirei com isso. Além do que, só eu já conheci um idiota ou um feioso, nem um pouco atraente por si, mas dono de um belo pau? só eu já desejei que pau fosse desatarrachável? afinal, nem sempre dá pra dizer a um homem, cara, você é chato e eu não quero ter que lidar contigo, mas seu pau é apetitoso; abra a braguilha e cale a boca. O “buraco glorioso” é isso, diversão pura, descomplicada, direta, na forma de um pau flutuante, disponível, propício, oferecido, anônimo.

anônimo porque não é o homem que interessa. Isso é bom dependendo do interesse do momento, claro; também adoro filme gay em parte por essa razão: gosto também de ver homens sexuais, inteiramente sexualizados, transando de corpo inteiro, suas reações e suas expressões, cada músculo e movimento. gosto também quando o cara não é só um coadjuvante que está lá só pelo caralhão, quando cada centímetro do seu corpo inspira sexo. Além disso, esse pau-clichê-de-filme-pornô, não só sempre grande, é sempre duro, e com isso perde-se o fenômeno do pau mole enrijecendo. sempre achei tão mágico, isso. é uma delícia abrir a braguilha, tirar o pinto de dentro com a mão, olhá-lo como estava na calça, botar mole na boca quente e senti-lo enrijecendo com a transferência de calor. cada pau tem seu jeito de endurecer, um aspecto mole e outro duro, até o mesmo pau nem sempre enrijece da mesma forma. acho que a mudança de estado do pinto mole pro pau duro – assim como uma maior variedade de paus em tamanhos – pode ser mais bem explorada pornograficamente,  e espero que seja uma das coisas que veremos mais frequentemente quando sacanagem gráfica e explícita for mais popular em formas mais diversas.